Histórias dos Patudos

A História do:

Lethes

O cão que afinal ri...

Certas causas fazem mover o mundo. Esta foi uma dessas, que fazemos relato nestas linhas. O apelo foi lançado, como muitos outros, e a palavra foi passando de perfil em perfil, de partilha em partilha. Muitos foram mesmo para o terreno e desses permitam-nos destacar três: a Georgina, a Leonor e o Porfírio, este último que veio de Braga de propósito. Os três deram o seu tempo às buscas que duraram horas, ao longo de toda uma tarde. Uma vez localizado o cão, a tarefa que se seguiu não foi especialmente fácil. Na tentativa de o resgatar, o patudo caiu ao rio, de onde não sairia sem ajuda. Mas as mãos uniram-se e a roupa molhada não era ali assunto. O resgate aconteceu com sucesso.

No internamento, soubemos dos resultados das análises ao sangue. Os valores estavam dentro dos parâmetros normais, com umas pequenas alterações causadas pelo estado grave de magreza (leia-se: pela falta de alimento). Aguentou-se bem, o rapaz. Começou a comer, ainda que em pequenas quantidades de cada vez, e dispensou o soro. Demos-lhe um nome. Lethes, assim se chama agora, como o rio onde caiu. Por onde passam as águas que uns diziam ser do esquecimento.